Salvando a paca na Amazonia

Salvando a paca na Amazonia

Essa matéria saiu na revista do Sierra Club, uma revista que fala de aventura e natureza, escrita por Sophie Yep, e fala da pesquisa de um pesquisador brasileiro que faz uma pesquisa em que tenta fazer com que a caça da paca pelos ribeirinhos e índios amazônicos, não venha a causar a extinção desses bichos.
O pesquisador Hani El Bizri acompanhou os habitantes da reserva de desenvolvimento sustentável de Amanã nas caçadas que eles faziam. As pacas eram caçadas a noite, com o uso de uma lanterna, para ofuscar o animal, ou durante o dia com o uso de cachorros que as espantam das tocas, enquanto alguém espera no rio.

Distribuição geográfica da Paca, area em vermelho marca aonde ela foi introduzida.

O Hani El Bizri chegou em 2010 na região para estudar a sustentabilidade das populações de paca, e desde o inicio estudou as técnicas de caça dos locais daquela area. As pacas são o segundo animal mais caçado pelos ribeirinhos, ficando atrás apenas do queixada (Tayassu pecar), elas são uma importante fonte de proteínas para as 4 mil pessoas que vivem por ali. Embora a caça em excesso na região não é uma ameaça para a espécie, extinções locais na vizinhança das comunidades podem ser um problema, forçando os locais a irem mais longe atrás das pacas ou passar fome.
Segundo o pesquisador, a sua maior preocupação é que a população local tenha comida suficiente. Eles caçam muito essa espécie, e a sua segurança alimentar depende das pacas. Por isso que devemos desenvolver métodos eficientes de monitorar e manejar as populações de pacas.
Os pesquisadores já haviam tentado monitorar populações de pacas antes, mas eles haviam sido mal sucedidos. Eles costumavam usar um tipo de armadilha chamada Tomahawk, para capturar pacas e poder estuda-las, e embora fosse um método cientificamente ortodoxo, não era muito eficiente. Até hoje apenas 2 projetos que usaram esse método foram bem sucedidos em capturar apenas uma paca cada um. Ambos foram conduzidos no Panamá, numa area conhecida por usa alta densidade de pacas.

Armadilha tipo tomahawk

O Hani, percebeu que havia uma oportunidade de colaborar com as comunidades da reserva, aproveitando do conhecimento tradicional dessa população para melhorar seus métodos científicos e em troca ajudar a sobrevivência das pacas que eram o suprimento de comida dos locais.
E desde então Hani tem vivido, conhecido e trabalhado com essa comunidade por toda a reserva de Amanã, aprendendo como rastrear, seguir e capturar esses roedores ariscos. Ele trabalhou com alguns locais, especialmente 2 irmãos, Luiz Washington da Silva Araújo e Wilson da Silva Araújo, para treinar 2 cachorros de caça, para nua perseguir nada além de pacas. Juntos eles transformaram esse método, codificando-o e transformando num método cientifico.

Esse método resultou ser muito superior ao uso de armadilhas tomahawk, e também com custo beneficio muito melhor, permitiu a Hani juntar um banco de dados raro sobre as populações de paca na amazonia, e estudar o sistema de reprodução das pacas, e de acordo com um metro da comunidade, ofereceu a rara oportunidade de provar que seus métodos praticas também funcionavam no papel. Esse esforço em conjunto gerou alguns achados alarmantes, incluindo que as pacas são geralmente mais caçadas quando estão gravidas.

Grupo de pacas com filhotes, em cativeiro.

Hani não é o unico que está preocupado com o declínio da disponibilidade de carne de caça, e nem as pacas são as únicas espécies vulneráveis a ameaça da caça em excesso.
Em 2016, um grupo de 16 académicos, na Royal Society Journal, alertaram que um aumento na caça animais para subsistência esta atualmente ameaçando 301 mamíferos terrestres com a extinção, e assim pondo em perigo a segurança alimentar de centenas de milhões de pessoas na Africa, Asia e America do Sul.

Os esforços para proteger a biodiversidade, levaram em algumas instancias a políticas que ignoram as necessidades das comunidades locais e pode danificar os esforços para manejar e preservar a vida selvagem. No Brasil (palavras da autora do texto em inglês) por exemplo, foi feita uma proibição da caça, através de uma legislação complexa e contraditória, um enfoque que faz pouco para prevenir essa atividade necessária e tradicional por toda a floresta amazônica, e acaba levando as comunidades a praticar a caça de forma ilegal e não sustentavel.

E além disso, as políticas de apoio a comunidades rurais pobres tem, em alguns casos, levados uma piora da dieta para aqueles que tem acesso a areas urbanas. Segundo Flavia Mora, uma pesquisadora de saúde e nutrição na universidade de São Paulo. As pessoas que recebem essa ajuda financeira tendem a abandonar as lavouras e suas outras praticas tradicionais, e procuram comprar em lojas por alimentos industrializados, segundo Flavia, a substituição da caça e agricultura nessas regiões nem é sustentável e nem tem o grande valor nutricional
da carne de caça.Se expandirem as atividades agrícolas você põe as espécies alvos de caça em perigo maior ainda, porque com a mudança do ambiente esses animais irão começaram a invadir areas urbanas e acabam sendo mortos.

Paca atropelada na floresta da Tijuca, Rio de Janeiro.

Com auxilio dos membros da comunidade, Hani esta usando os resultados e dados da pesquisa para criar um plano de manejo das pacas, que ele espera será adotado voluntariamente por toda a reserva de Amanã, e eventualmente adotado como política publica no Brasil. Isso pode incluir caça somente em algumas épocas do ano ou uma rotação das areas de caça para permitir a recuperação das populações de paca entre as caçadas.

Para Hani El Bizri, foi muito importante reconhecer o papel da contribuição do conhecimento tradicional no seu trabalho, e especialmente os 2 irmãos que o acompanharam pelas florestas e na sua canoa. Num artigo que ele publicou em 2015 na Wildlife Biology, detalhando seus achados, ele listou Luiz e Wilson da Silva Araújo como co-autores.

Luis Almeida

Formado em Zootecnia, na UNESP -Jaboticabal, fez cursos de animais silvestres na ESALQ, morou Africa do Sul e Zambia nos anos 90, trabalhou como aprendiz de caçador profissional nesses países, em 2004 se mudou para a Grécia e desde 2013 fica indo e vindo entre Brasil e Grécia, sempre caçando aonde tem oportunidade e pesquisando novos destinos de caça.

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