Aumentando as taxas de visita de uma reserva para melhorar a sua conservação: Escrito por Don Scott, co-proprietario da pousada Tanda Tula 

A posição de Timbavati em relação ao Parque Nacional Kruger

Nos últimos anos a reserva natural particular Timbavati, com uma area de 3.600 hectares, tem enfrentado um dilema. Como em outras reservas que fazem parte do Grande Kruger (como é chamado o conjunto de reservas que juntaram suas cercas com o Parque Nacional Kruger), a caça ilegal está se tornando cada vez mais frequente e intensa e sem sinais de diminuir, e com isso os custos de proteção a reserva aumentaram 850% nos últimos cinco anos. A direção da reserva esta ciente que essa situação é insustentável, e de alguns anos pra cá está explorando opções, de onde poderia conseguir os fundos para pagar pela segurança da reserva.

Timbavati foi o primeiro lugar aonde foram vistos leões brancos na natureza, e eventualmente alguns foram capturados e levados a zoológicos, e esse livro conta a história desses leões.

Tradicionalmente Timbavati, junto com muitas outras reservas que fazem parte do Grande Kruger, tem contado com a receita obtida com a caça, como principal contribuinte para financiar os custos enormes de manutenção, gerenciamento e proteção da reserva natural, que por ser particular não recebe ajuda do governo ou subsídios. A caça é regulada pelas agencias de conservação governamentais, e é praticada dentro de estritas normas éticas do Kruger National Park, de modo a promover o uso sustentável da fauna.
Como a ideia por trás dessa utilização é ser sustentável, simplesmente aumentar as cotas de caça não é uma opção, e também aumentar o numero de leitos nas pousadas em Timbavati também não seria sustentável.

A direção de Timbavati entende que a caça é um assunto controverso e pode polarizar opiniões e criar um debate acalorado, mas devido as exigências econômicas, é necessário um uso múltiplo da area, mas mantendo padrões de normas éticas comuns, na regulação de todas as atividades, inclusive caça, turismo, conservação e segurança. De fato é essa vontade de trabalhar com principio comuns, dos diversos proprietários de reservas no Grande Kruger, que faz dessa area um grande sucesso, uma das únicas areas de vida selvagem da Africa que continua a se expandir e crescer, apesar de todas as pressões externas para o uso da terra.

Como um dos membros da direção de Timbavati, Don Scott, tem como trabalho cuidar das pousadas e também participar do gerenciamento financeiro e planejamento da reserva. No ultimo ano, durante a analise anual do orçamento de Timbavati, e analisando o histórico de receitas, e houve uma descoberta surpreendente. De acordo com os dados dos últimos anos, o número de turistas fotográficos na reserva chegou a 24 mil turistas, e a receita que esses turistas trouxeram, foi menos que um terço da receita que apenas 46 caçadores trouxeram no mesmo ano. Não é difícil de imaginar que 24 mil turistas tem um uso de recursos e uma “pegada de carbono” muito maior que 46 caçadores, sem mencionar a quantidade de atividade dentro da reserva, necessária para atender a todos esses turistas fotográficos; alem do manejo de lixo, manejo de agua, fornecimento de energia elétrica, entregas e pessoal, para citar alguns.

Querendo resolver esse problema, nos últimos 2 anos, se procurou padronizar as praticas e normas, com o auxilio de peritos em turismo, proprietários de terras do Grande Kruger, e a solução encontrada foi aumentar o preço do da estadia na area do Grande Kruger, que passou a ser cobrado por dia e não por estadia, o preço hoje está por volta U$ 28,00, muito abaixo da média africana que é de 100 U$ por dia.
Com isso houve um aumento de receita em 300%, o que ultrapassou o orçamento previsto em 41%. Esse aumento foi muito importante porque 50% dos custos operacionais de Timbavati são despesas com patrulhas anti-caça ilegal; Timbavati ainda é a reserva com menor perda de rinocerontes por caça ilegal em toda area do Grande Kruger.
Com esse aumento de receita Timbavati pode manter uma baixa pressão de caça e não aumenta o numero de turistas fotográficos, mantendo a area o mais selvagem possível.

Luís Almeida

Luis Almeida

Formado em Zootecnia, na UNESP -Jaboticabal, fez cursos de animais silvestres na ESALQ, morou Africa do Sul e Zambia nos anos 90, trabalhou como aprendiz de caçador profissional nesses países, em 2004 se mudou para a Grécia e desde 2013 fica indo e vindo entre Brasil e Grécia, sempre caçando aonde tem oportunidade e pesquisando novos destinos de caça.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *