Comer mais canguru para ajudar a biodiversidade.

Recentemente eu li uma noticia de um site australiano, que me lembrou uma situação que acontece aqui no Brasil com capivaras, e recentemente com porcos do mato, cateto e queixada, sem contar do javali e seus híbridos, um professor da Universidade de Adelaide, David Paton, argumenta que os australianos tem de começar a apoiar o controle populacional de cangurus em algumas regiões da austrália, e deveriam começar a consumir mais carne de canguru, assim as carcaças não seriam desperdiçadas.
Essa necessidade de controle populacional foi observada através de um experimento de longa duração, aonde eles observaram alguns lotes do parque de conservação Sandy Creek, que foram cercados a prova de cangurus, e nesses lotes a vegetação natural voltou a níveis de antes da década de 1970, quando os cangurus não eram tão abundantes. Nesses lotes a vegetação mais abundante suporta espécies de pássaros, que não tiveram o mesmo nível de crescimento populacional que tiveram os cangurus cinzentos que habitam o parque.

A esquerda da foto se vê a área em que os cangurus não tem acesso, comparada com a área em que eles estão presentes.

O professor ainda afirma se não houver um controle ou redução populacional dos cangurus de alguma forma, irá se perder muito da biodiversidade local, não que a culpa seja dos cangurus, mas sem predadores naturais, esse controle teria de ser feito por seres humanos.
Controle de cangurus em terras publicas e privadas
O departamento e meio ambiente, agua e recursos naturais de South Australia, estima que existam 4,7 milhões de cangurus na área de abate comercial, que compõe muito da parte rural da província de South Australia. Segundo o diretor regional, Brenton Grear, confirmou que o controle de cangurus esta sendo feito na região do monte Lofty. Ainda segundo o diretor, vários programas de controle estão sendo implementados em variou parques, e eles estão estudando expandir esses programas de controle.
Essas medidas são tomadas de acordo com a lei de parques nacionais e vida selvagem, e tudo feito de acordo com a lei de bem estar animal. O diretor, Brenton Grear, ainda assegura a comunidade que os cangurus estão sendo abatidos da forma mais sem sofrimento possível, e são escolhidos atiradores competentes para garantir a morte rápida dos animais.
Existem pessoas que levantam questões como o uso de contraceptivos, que até agora parece inviável, e também a relocação, que parece uma medida mais realista.
Alguns politicos locais, como Tom Kenyon, defendem um debate da comunidade sobre esse controle, citando que em atuis locais o grande numero de cangurus invadindo propriedades e esta sendo um problema para os habitantes. Segundo o Sr Kenyon, que tem um diploma de manejo ambiental, um abate controlado seria a solução “menos pior”. Segundo ele o manejo de animais através do abate pode parecer cruel, mas uma grande população animal morrendo de inanição por falta de controle é mais cruel ainda.

O ecologista David Paton que vem estudando o efeito do excesso de pastejo dos cangurus e seus efeitos na vegetação nativa australiana

David Paton diz que lidar com números populacionais explosivos de uma espécie emblemática como os cangurus é uma decisão difícil, e deixa a questão,”São apenas os cangurus que são importantes ou também é importante manejar a população de cangurus, e os manter em níveis populacionais que não afetem o meio ambiente e com isso evitar a destruição do que resta da biodiversidade local?”
Voltando ao Brasil, eu fico imaginando o quanto o excessivo número de capivaras não estaria afetando a biodiversidade já diminuída de varias regiões do país, essa seria uma boa pergunta a ser feita ao IBAMA.

Fonte: http://www.abc.net.au/news/2017-09-10/cull-kangaroos-and-eat-their-meat-scientist-urges/8887432

Luís Almeida

Luis Almeida

Formado em Zootecnia, na UNESP -Jaboticabal, fez cursos de animais silvestres na ESALQ, morou Africa do Sul e Zambia nos anos 90, trabalhou como aprendiz de caçador profissional nesses países, em 2004 se mudou para a Grécia e desde 2013 fica indo e vindo entre Brasil e Grécia, sempre caçando aonde tem oportunidade e pesquisando novos destinos de caça.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *