Turismo de caça parte 3 – Destinos de caça – África do Sul

A partir de agora eu começarei a falar de destinos de caça, todo caçador ja viu historias ou videos no youtube, de caçadas pelo mundo afora, como aqui no Brasil a grande mídia gosta de falar mal da caça, ela costuma desinformar o publico sobre a realidade da caça e aonde se pode caçar, e pouca gente associa 2 continentes muito ricos em vida selvagem, em animais selvagens, que são a Africa e a América do Norte, ao mesmo tempo que canais de televisão aberta e de tv paga gostam de mostrar a riqueza e a abundância da fauna desses continentes, mas raramente menciona que os países ricos em fauna são justamente os que mais fazem manejo de caça, a caça esportiva ou de troféu. Nesses dois continentes as oportunidades de caça são muitas, na América do Norte você pode escolher entre caçadas selvagens aonde até o Bear Grylls iria passar um aperto, em que você é deixado por um avião em um local completamente isolado e longe da civilização como lugares com muita infraestrutura, e acomodações luxuosas até, na Africa o mesmo também é possível.
Além desses continentes existem excelentes possibilidades de caça em outros lugares, e a partir de agora eu tentarei informar aos leitores do aquitemjavali.com.br sobre os países em que a caça é permitida e o que se pode caçar por ali, alguns países tem tanta caça, não só quantidade como variedade, que merecerão mais de uma postagem.
Pra começar a falar de destinos de caça nada melhor que falar da Africa do Sul, não só por começar com a letra A, mas por ser um excelente destino de caça, a variedade de animais de grande porte na Africa do Sul é grande mesmo para os padrões africanos, alem dos 5 grandes, o big 5, eles tem uma variedade enorme de bovídeos, são 27 espécies ao todo, de antílopes do tamanho de uma cutia, até o búfalo e o eland que é maior que um búfalo em tamanho e peso. Isso tudo sem contar as subespécies, e uma espécie que foi extinta (e não foi considerada) ainda no final dos anos de 1700, provavelmente 1799 ou 1800, nunca foi um animal abundante e pra infelicidade dele ele habitava uma pequena região perto do cabo da boa esperança, aonde os primeiros europeus desembarcaram para começar a colonização daquele pedaço da Africa.
Alem dos 27 bovídeos ainda existem hipopótamos, 2 espécies de rinoceronte, o branco e o negro, sendo que desse ultimo 3 subspecies são nativas daquele pais, uma está extinta as outras 2 vem sendo protegidas em parques nacionais e fazendas de caça. Também há 2 espécies de zebras, uma, a zebra da montanha tem uma subespécie chamada zebra do cabo que é exclusiva da Africa do Sul, foi salva por fazendeiros que resolveram protege-la em suas fazendas, e mais tarde em 1937 quando o governo sul-africano criou o parque nacional da zebra do cabo, a pequena população que existia nesse lugar acabou desaparecendo em 1950, mas no mesmo ano animais provenientes de fazendas particulares próximas foram reintroduzidos ao parque e hoje a população mundial dessa subespécie de zebra já chega a níveis em que se permite a caça em pequeno numero dessa espécie. A outra espécie, a zebra comum ou zebra da planície era representada por 3 subespécies naquele país, uma foi extinta em 1878, era chamada de Quagga, a melhor descrição dela seria uma zebra inacabada, ela possuías listras na cabeça e pescoço e membros anteriores e depois ficava com uma cor bege lisa, como era uma subespécie muita próximas das outras ela tem sido recriada através de cruzamentos seletivos que estão resgatando aquela características do Quagga.

Uma fêmea de Quagga, fotografada em 1870, no zoológico de Londres.
Zebra do cabo, subespécie da zebra da montanha.

E além desses bichos todos, ainda temos as girafas que são abundantes na Africa do Sul e podem ser caçadas também, assim como elefantes, leões e felinos menores como o caracal e o gato selvagem africano, o leopardo teve recentemente sua caça fechada temporariamente por causa de ativistas internacionais que fizeram pressão para que se determinasse o tamanho da população de leopardos naquele país. Ah e quase ia me esquecendo há dois tipos de porcos selvagens um elas chamam de bushpig, porco do mato, é tipo o javali europeu mas não fica tão grande em tamanho, mas muito esperto, dificílimo de caçar, e o outro porco selvagem seria o facócero, pra quem viu o desenho rei leão, seria o pumba.
Parece bastante bicho pra caçar né? Mas ainda tem a caça menor, mamíferos pequenos e as aves, tanto as aquáticas como as pombas e aves de campo, se uma pessoa fosse caçar um bicho por dia na Africa do Sul, de todas as espécies permitidas, o caçador teria de ficar mais de 2 meses caçando sem parar, tai uma boa opção do que fazer com aquele prêmio da mega-sena quando você for sorteado.
Outra vantagem da Africa do Sul é que não é tão distante do Brasil, um vôo dura em média umas 9 horas, chegando lá, você verá um país com grande infra estrutura, boas estradas asfaltadas, isso tudo facilita também o transporte até área de caça, sem necessidade de pegar um avião particular, isso tudo barateia o preço da caçada no final.

Aqui um caçador na África do Sul com um Eland, a maior espécie de antílope africana e do mundo, e como você pode ver, faz frio o suficiente lá pra nevar.
Aqui um mapa da ponta sul da África, como pode ver muito da Africa do Sul está acima dos 1000 metros de altitude, seria como caçar no alto da serra gaúcha.

Antes de ir pra qualquer lugar caçar é sempre bom dar uma pesquisada nos bichos e nos lugares aonde se vai caçar, a Africa do Sul é um país menor que o Brasil mas ainda é um país de tamanho considerável, e possui areas com características bem diferentes, tem florestas umidas como as da mata atlântica, planícies extensas, montanhas, savanas, semi desertos e desertos, e tem uma vegetação que lembra muito a caatinga, que eles chamam de bushelsveld, que seria um tipo de savana arbustiva, e é uma das areas com maior densidade de caça maior naquele país, muito do Kruger park é composto dessa vegetação, especialmente no sul do parque aonde chove menos. Como regra geral essa parte nordeste da Africa do Sul sempre foi mais selvagem, foi a ultima a ser aberta, por isso a região do Kruger se manteve selvagem até a criação do parque, ainda existe malária por lá, o que também atrasou a colonização, assim como a mosca tsé-tsé, que até hoje transmite formas de doença do sono para o gado, cavalos e cachorros, os animais dométicos imunes a essas doenças são em geral as cabras, porcos e galinhas, os cachorros não nativos sofrem muito, mas existem vacinas e remédios que deixam eles em ordem. A doença do sono humana é rara na Africa nos países mais desenvolvidos do continente, então não chega a ser uma preocupação importante, mas a malária é, especialmente se você está indo para as regiões perto do Kruger park e partes mais tropicais da província de Kwazulu Natal, ao longo da costa de Maputaland, no resto da Africa do Sul é muito seco para ter mosquitos e para ajudar a época de caça acontece na época seca do ano, que como no sudeste e centro oeste brasileiro é dos meses de abril/maio até setembro/outubro. As temperaturas nessa época de caça são bem diferentes do Brasil, muito do território da Africa do Sul tem altitudes bem mais elevadas que o Brasil, o que faz o inverno deles ser mais frio que o nosso, não é raro nevar em vários pontos do país, por isso converse o máximo que puder com seu guia de caça para saber que tipo de roupas levar quando estiver indo caçar, os caras lá na Africa do Sul tem costume de sempre usar bermudas, isso tem a ver com a tradição deles, pra eles numa fazenda o cara que vai de calça comprida esta indo pra fazer bonito e o cara que esta de bermuda foi la pra trabalhar, no caso de caça existe um bônus, quando você está de bermuda você fica mais cuidadoso com espinhos e vegetação, fazendo menos barulho e por isso pode se aproximar mais dos bichos.

Caçar o que?
Se fosse a minha primeira vez a ir caçar na África acho que iria escolher os animais mais conhecidos, os animais que fazem parte dos 5 grandes são caros, mas existem tantas espécies que muitas das mais conhecidas são acessíveis. Dentre esses mais acessíveis você encontra o Impala.

Rebanho de impalas

O Impala é um antílopes muito comum, na Africa do Sul existe principalmente no leste, norte e nordeste do país, é um animal de tamanho médio para os padrões africanos, se fosse no nosso continente ele seria de considerado de grande porte, é maior que um veado campeiro e menor que um cervo, nos livros falam que os machos grandes chegam a 90 kg, o que me parece ser possível, é uma carne muito boa, e faz um troféu muito bonito também, apenas os machos tem chifres, por existirem tantos existem também caçadas de animais seletivos em que você pode pegar mais de um a um preço bem bom. Existem alguns lugares em que se caça impalas com calibres como o 223 remington, o 5,56mm militar, mas em geral a maioria dos guias irá aconselhar algo na classe dos 6 mm para cima, como o 243 winchester, que é um calibre muito bom, é quase sem coice, qualquer calibre .30 é suficiente também, e não se engane com o jeito delicado do impala, é comum um impala atingido por um tiro de rifle em pontos vitais ainda correr uns 100 metros antes e morrer, por isso treine bem antes de ir caçar, tiros de 150 metros são tiros normais para a Africa. Na Africa a grande maioria dos animais tendem a ser diurnos, especialmente se a pressão de caça por humanos é baixa, e é durante o dia que se caça, a grande maioria dos animais é caçada por aproximação, achando rastros e seguindo até achar o animal, ou esperando em olhos d’agua, mas em geral isso é feito por caçadores de arco.

Comparação de tamanho entre Impalas e ser humano.

Bando de Springboks
Springbok saltando

Springbok mostrando o “leque”

Springbok, ou Cabra de Leque, é o animal símbolo do time de rugby da Africa do Sul, é um tipo de gazela, a maior da Africa, e como todas as gazelas prefere ambientes mais secos, chegando a habitar desertos. O springbok vive na parte oeste e central da Africa do Sul, habitando também Botswana, Namibia indo até o sul de Angola, ganhou o nome de cabra-de-leque porque possui nas costas uma dobra de pele que quando algum membro do rebanho se assusta começa a saltar com as costas arqueadas e exibir essa dobra que é branca e com pelos mais longos lembrando um leque, e também lembra uma cabra como outras gazelas., ambos os sexos possuem chifres. Já foi muito numeroso, existem relatos de viajantes que media manadas em dezenas de milhões de indivíduos, um viajante em 1896, S.C. Cronwright-Scheiner, junto com 2 fazendeiros tentaram contar um desses rebanhos, e viram que um desses rebanhos cobria uma área de 15 milhas de largura por 140 milhas de comprimento, outros que tentaram estimar, T. B. Davie e seu amigo Dr. Gibons, estimaram que a area coberta por um rebanho, em 1888, era de 10 mil acres o que daria mais ou menos uns 5 mil hectares. Certo antes de me chamar de mentiroso eu vou explicar, esses rebanhos aconteciam esporadicamente, quando havia uma explosão da população desses bichos, ou uma seca muito forte, eles faziam esses rebanhos gigantescos e saiam como uma massa migratória e muitas vezes acabavam se jogando em rios ou no mar aonde muitos morriam afogados. A ultima dessas migrações foi registrada em 1897. Hoje em dia o springbok ainda é bem abundante na Africa do Sul, e disponível para a caça em vários lugares, é um animal de tamanho médio, esguio, um macho adulto pesa ao redor de 40 kg, vive em áreas abertas, aonde pode enxergar a aproximação de predadores, assim como com o impala existem os que caçam com 223 remington, mas é um animal grande para esse calibre, melhor usar calibres a partir dos 6 mm, calibres para longas distancias são uma boa opção, como o 25-06 remington, 270 winchester entre outros. Infelizmente nunca tive a oportunidade de caçar springboks, mas é um bicho que eu tendo a oportunidade não deixaria passar.

Comparação de tamanho entre ser humano e springbok.
Recriação artística do que eram as marchas de rebanhos de springbok, feita por Velizar Simeonovski.

Fêmea de warthog e subadulto, essa barbicha branca desaparece nos machos mais velhos.

Wathog ou Facócero, nos países de lingua portuguesa é chamado de javali, é um dos porcos do mato africanos, muito conhecido pelo desenho do ”rei leão”, que encheu a cabeças do publico de bobagens, mas fez do warthog uma figura conhecida de todos, é um animal geralmente diurno, come mais vegetais que o javali europeu, mas não dispensa uma carniça se achar uma, costuma dormir em tocas e não gosta de mata muito fechada, o corpo dele é meio sem pelos, o macho possui umas presas que chegam a ser bem grandes pelo seu tamanho e são um troféu muito procurado, é um animal muito abundante por todo o continente africano, e melhor de tudo muito saboroso, um amigo meu costumava fazer a carne na chapa com curry, e até hoje minha boca faz água quando penso nisso. O warthog não chega a ser tão grande como alguns javalis europeus que beiram ou passam os 200 kgs, mas warthogs ficam por volta dos 70 a 90, alguns dizem que pode chegar aos 150 kg. Por serem abundantes isso faz eles terem um preço não muito caro.

Comparação de tamanho entre ser humano e warthog.
Aqui um macho de bom tamanho, na cara dele você vê 4 verrugas, as fêmeas tem 2, outro jeito de diferenciar os sexos.

Gnu, ou Boi-cavalo.

Gnu comum, ou boi-cavalo como é chamado nas antigas colônias portuguesas, é um animal bem conhecido de quem vê os documentários de vida selvagem, existem 5 subespécies pela Africa, o sul africano é também chamado de gnu de barba preta ou gnu azul. Nos anos 90 era um bicho meio caro pra ser caçado na Africa do Sul, hoje em dia o peço dele baixou bem, é um animal de grande porte, já foi raro na Africa do Sul, mas com a popularização das fazendas de caça esta se tornando cada vez mais abundante, aliás na Africa do Sul hoje em dia existem mais animais selvagens do que há 60 anos atrás graças as fazendas de caça. É um animal muito resistente e forte, alguns machos chegam a 290 kg, ambos os sexos tem chifres, na caça desse animal deve-se usar calibres potentes, o ideal seriam os 7 mm mais fortes e os .30, dai para cima, sua resistência é tanta que alguns caçadores o definem como uma versão econômica do búfalo, vive em bandos, em alguns lugares realiza grandes migrações, mas o desenvolvimento da Africa tem atrapalhado ou acabado com essas migrações. Como vive em bandos, uma das dificuldades da sua caça é a aproximação sem ser detectado por um dos muitos olhos do rebanho, e antes de atirar você precisa ter certeza que não há outro animal atrás do escolhido, os tiros de rifle com frequência atravessam o animal, e assim você poderia ferir o que está detrás. A caça de animais que vivem em bandos apresenta uma outra dificuldade que seria rastrear o animal após o tiro, com o barulho do tiro os animais fogem, claro, e muitas vezes o animal atingido também, e com isso os rastros podem cruzar, e confundir o caçador, uma dica que me ensinaram, é quando escolher o animal que for abater, tente lembrar alguma característica do terreno, tipo uma arvore, uma pedra, qualquer coisa que possa te dar a posição que o animal estava na hora do tiro, assim se vc se confundir com os rastros, você pode voltar ao inicio e tentar seguir desde o principio. Seu guia com certeza fará o rastreamento, mas é bom saber os princípios antes de ir, rastrear é o tipo da coisa que você tem de praticar sempre pra ser bom, pode ser que você nunca fique excelente, mesmo nas tribos da tribo San, nem todos saem bons caçadores ou rastreadores, mas saber alguma coisa e prestar atenção aos detalhes pode te ajudar a aproveitar essa parte da caçada.

Comparação de tamanho entre Gnu e ser humano.

Órix do cabo.

Órix, Órix do cabo ou Gemsbok, é outro animal tipicamente africano, de porte médio pra grande, entre 180 e 240 kg, extremamente adaptados vida em desertos e subdesertos, sua temperatura corporal chega a ser de até 45 graus celsius, assim ele demora mais para transpirar. Sua urina é mais concentrada para não desperdiçar água e suas fezes também são pequenas e quase secas. Sua pelagem também é desenvolvida para lidar com o calor do dia e as noites frias, dizem que de manhã os órix ficam de frente para o sol, as manchas escuras na sua cara ajudam a esquentar o ar que respira, e a cor mais calor do resto corpo ajuda a refletir o calor, alguns pesquisadores ainda dizem que esse contaste de areas escuras perto de areas claras no seu corpo ajudam a criar um micro clima, uma pequena corrente de ar que ajuda a refrescar o animal, ele ainda consegue diminuir sua temperatura ofegando, mas diferente dos cachorros que ofegam com a boca aberta e respirando bem forte, os órix mexem apenas as narinas, e com isso conseguem manter a temperatura do cérebro sob controle, mesmo com sua temperatura corporal mais alta. Os órix sobrevivem das poucas plantas que existem no seu habitat e tiram muito da sua agua do seu alimento; há outras espécies habitando outros desertos africanos, esse é típico dos desertos da Namibia, Africa do Sul e Botswana, muito difundido em varias fazendas de caça e reservas, ambos os sexos possuem chifres retos e compridos, e relativamente afiados, eles costumam brigar entre si, as vezes com ferimentos muito graves até fatais, e são animais agressivos com predadores também, podendo encarar até leões solitários algumas vezes, e já houve casos de atarem caçadores humanos também. Por viver em areas desérticas, em geral, com pouca vegetação, os tiros a esse animal em geral são longos, de 200 metros para cima, 300 metros não é incomum, por isso o treino antes de ir pra lá é fundamental. Calibres de 7 mm para cima são os mais indicados, e que sejam para longo alcance como o 7 remington magnum, até o 300 winchester magnum e outros mais modernos e de longo alcance também. Como outros antílopes africanos forma bandos, de 10 a 40 animais, embora em algumas ocasiões, no inicio da estação das chuvas, existem congregações de até 200 animais. Caçar o órix é muito empolgante, envolve muita caminhada, conhecimento do local, muita observação com binóculos ou lunetas, ah, e a carne dele é muito boa também.

Comparação de tamanho entre órix e ser humano.

Na próxima parte vou falar de mais algumas espécies de bichos que se pode caçar na África do Sul, pra abranger um pouco mais da grande fauna daquele país.

Luís Almeida

Luis Almeida

Formado em Zootecnia, na UNESP -Jaboticabal, fez cursos de animais silvestres na ESALQ, morou Africa do Sul e Zambia nos anos 90, trabalhou como aprendiz de caçador profissional nesses países, em 2004 se mudou para a Grécia e desde 2013 fica indo e vindo entre Brasil e Grécia, sempre caçando aonde tem oportunidade e pesquisando novos destinos de caça.

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